Um dia desses, fazendo compras num
determinado estabelecimento comercial do Parque Araxá, ouvimos, mesmo contra a
nossa vontade, uma dessas músicas descartáveis que fazem sucesso atualmente.
Ficamos prestando atenção na letra, na mensagem, e aumentando a nossa
indignação em relação aos valores sociais e culturais que as diversas formas de
mídia estão repassando para o povo brasileiro, principalmente as crianças e
adolescentes, ainda em formação de caráter.
Na música, cujo título é
“Porsche”, o autor relata que estava tentando conquistar uma moça, mas ela o
esnobou porque ele falou que estava a pé. Aí, na saída da festa, a moça ficou
assustada e começou a chorar quando viu o rapaz dirigindo um Porsche (carro
importado). “Se deu mal, falei que eu tava a pé, ela não quis me dar moral. Se
deu mal, caiu na pegadinha e o castigo foi fatal”, diz o refrão da “pérola
musical”.
Após a audição, nos perguntamos
para onde é mesmo que a nossa sociedade está caminhando quando valoriza e
propaga esse tipo de comportamento. Quer dizer, então, que a moça vai se
arrepender para o resto da vida porque perdeu a oportunidade de ficar com um
rapaz cuja única virtude é possuir um carro importado? Esse detalhe é mais
importante do que ele ser um rapaz sério, honesto, trabalhador, pacifista, que
respeite a mulher como um ser humano igual a ele, e não como um objeto para ser
usado e jogado fora a cada noitada?
É uma pena constatar que isso
acontece mesmo neste mundo moderno onde o amor virou cafonice, uma coisa fora
de moda, em detrimento do interesse econômico, da posse a qualquer custo. Se o
autor da música teve essa inspiração, e se ela ocupa atualmente os primeiros
lugares nas paradas de sucesso, é porque o público se reconhece na mensagem.
Para onde estamos indo, hein?
Para onde estamos indo, hein?
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