domingo, 15 de dezembro de 2013

Para onde estamos indo de Porsche, hein?

Um dia desses, fazendo compras num determinado estabelecimento comercial do Parque Araxá, ouvimos, mesmo contra a nossa vontade, uma dessas músicas descartáveis que fazem sucesso atualmente. Ficamos prestando atenção na letra, na mensagem, e aumentando a nossa indignação em relação aos valores sociais e culturais que as diversas formas de mídia estão repassando para o povo brasileiro, principalmente as crianças e adolescentes, ainda em formação de caráter.
Na música, cujo título é “Porsche”, o autor relata que estava tentando conquistar uma moça, mas ela o esnobou porque ele falou que estava a pé. Aí, na saída da festa, a moça ficou assustada e começou a chorar quando viu o rapaz dirigindo um Porsche (carro importado). “Se deu mal, falei que eu tava a pé, ela não quis me dar moral. Se deu mal, caiu na pegadinha e o castigo foi fatal”, diz o refrão da “pérola musical”.
Após a audição, nos perguntamos para onde é mesmo que a nossa sociedade está caminhando quando valoriza e propaga esse tipo de comportamento. Quer dizer, então, que a moça vai se arrepender para o resto da vida porque perdeu a oportunidade de ficar com um rapaz cuja única virtude é possuir um carro importado? Esse detalhe é mais importante do que ele ser um rapaz sério, honesto, trabalhador, pacifista, que respeite a mulher como um ser humano igual a ele, e não como um objeto para ser usado e jogado fora a cada noitada?
É uma pena constatar que isso acontece mesmo neste mundo moderno onde o amor virou cafonice, uma coisa fora de moda, em detrimento do interesse econômico, da posse a qualquer custo. Se o autor da música teve essa inspiração, e se ela ocupa atualmente os primeiros lugares nas paradas de sucesso, é porque o público se reconhece na mensagem.
   Para onde estamos indo, hein?

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